Cargueiro à deriva à saída da barra da Figueira da Foz corre o risco de naufragar

Cargueiro à deriva à saída da barra da Figueira da Foz corre o risco de naufragar

Um cargueiro ficou à deriva à saída da barra da Figueira da Foz, correndo o risco de naufragar, depois de ter perdido o leme, alegadamente por ter batido no fundo devido à acumulação de areias.

Joana Raposo Santos - RTP /
Jan Kuhlmann via vesselfinder.com

Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, alertou ao início da tarde desta segunda-feira que “estamos a viver efetivamente uma tragédia, porque há o risco de naufrágio”.

“Não é por uma questão de mau tempo. A barra estava operacional”, explicou aos jornalistas no local. “Estamos com um problema na Figueira da Foz gravíssimo de excesso de areia na barra”.

“Gastaram-se 28 milhões de euros numa dragagem brutal de areias para pôr na zona sul, onde elas estão a fazer falta”, mas essa dragagem baseou-se “num estudo de há dez anos” que “se calhar está completamente obsoleto”, disse o responsável.

“Mal acabaram a dragagem ficámos com uma barra intransitável e, neste momento, temos navios presos dentro do porto da Figueira da Foz, já estão navios a descarregar no porto de Aveiro e todos os carregadores (…) vão ter de desviar as suas cargas para Leixões, Aveiro, Lisboa e Setúbal”.

“Para a economia nacional é uma tragédia, e para este navio em concreto vamos ver se o reboque chega a tempo de o salvar”, acrescentou. Paulo Mariano pediu ao primeiro-ministro que “meta as mãos nisto”.

Antes destas declarações, o responsável tinha explicado à agência Lusa que o navio de carga geral Eikborg, de bandeira dos Países Baixos, está sem comandos, sem leme e à deriva, a navegar só para se segurar, de marcha a ré, enquanto espera por rebocadores que terão de se deslocar do porto de Leixões, por não existirem na Figueira da Foz ou em Aveiro.

"O navio está sem leme. Neste momento, está à deriva. Está a tentar manter algum rumo, navegando ao contrário, está a andar para trás, o que é contraproducente, mas é a única solução que ele [o comandante] tem, para tentar dominar o navio, até que alguém venha em socorro", afirmou Paulo Mariano.

O responsável classificou a situação como "a tempestade das tempestades", avisando para o perigo de o cargueiro de 89 metros naufragar, com o previsto agravamento das condições do mar.

"Porque, se ele começar a meter água na casa das máquinas, está sujeito a ir ao fundo. Estamos aqui na iminência, e não estou a exagerar, de acontecer uma tragédia", alertou.A barra da Figueira da Foz está fechada a embarcações de comprimento inferior a 35 metros - o que permitiria a entrada e saída de cargueiros - mas, ainda segundo Paulo Mariano, na prática está encerrada a toda a navegação, após o Ekborg ter batido no fundo quando saía, carregado com carga da celulose do grupo Altri, a segunda situação do género em dois meses.

"E há aqui mais navios para sair e os senhores pilotos [que guiam os navios nas entradas e saídas do porto comercial] dizem que não sabem como está a barra e não movimentam nada", vincou.

"Portanto, o porto da Figueira da Foz fechou. O porto que servia a economia da Região Centro fechou. Isto é um assunto, como se dizia noutro tempo, de lesa-pátria", argumentou.

Paulo Mariano disse ainda que a barra da Figueira da Foz nunca teve tanta areia acumulada como agora, responsabilizando pela situação as dragagens da obra de transferência, de norte para sul, de três milhões de metros cúbicos de areia, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e exigindo a intervenção do Ministério Público.

Segundo a página Marine Traffic, o Ekborg está ao largo da barra da Figueira da Foz, sem comandos, a navegar a uma velocidade de meio nó (menos de um quilómetro por hora).

c/ Lusa

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